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Caged: Análise dos setores com maior volume de desligamentos e estratégia para fornecedores B2B

Onde o emprego formal encolheu em 2025

Este é o quarto artigo da série especial da Econodata sobre o Novo Caged em 2025.

Enquanto as análises anteriores desta série focaram nos vetores de crescimento, este relatório dedica-se a examinar os pontos de retração no mercado de trabalho brasileiro.

Compreender onde ocorreram os desligamentos – e, crucialmente, diferenciar a rotatividade (turnover) do encolhimento estrutural – é vital para a calibração precisa de estratégias de Go-to-Market.

O Brasil encerrou o exercício fiscal de 2025 com um saldo positivo de +1.153.348 empregos formais. No entanto, o volume total de desligamentos foi expressivo, atingindo a marca de 23.460.651 registros.

A análise dos dados revela que o mercado não estagnou; ele operou em alta rotação. Para o estrategista B2B, a questão central não é apenas identificar “quem demitiu”, mas discernir quais setores reduziram sua estrutura permanentemente e quais apenas reorganizaram suas operações.


Sumário

  1. Nota de transparência metodológica: defasagem temporal
  2. Glossário técnico: fundamentos da análise
  3. 1. Base numérica da análise
  4. 2. O tamanho real da movimentação em 2025
  5. 3. Setores com maior volume absoluto de desligamentos
  6. 4. Intensidade de ajuste: a proporção desligamentos/admissões
  7. 5. Onde houve retração real: setores com saldo negativo
  8. 6. Implicações práticas para vendas B2B e roteiro de abordagem
  9. 7. Metodologia Econodata
  10. Perguntas frequentes (FAQ)
  11. Conclusão


Nota de transparência metodológica: defasagem temporal

Para assegurar a integridade da análise, é fundamental observar a janela de captação dos dados. O Novo Caged opera com uma defasagem temporal (time lag) natural entre a ocorrência do fato gerador (admissão/demissão) e a consolidação estatística pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Portanto, os dados aqui apresentados refletem o cenário consolidado de janeiro a dezembro de 2025, incluindo ajustes declarados fora do prazo legal pelas empresas. Esta nota visa alinhar expectativas quanto à tempestividade da informação para tomadas de decisão em tempo real.


Glossário técnico: fundamentos da análise

Para garantir a interpretação correta das métricas apresentadas e evitar ruídos na leitura dos indicadores, definimos os conceitos-chave:

  • Novo Caged: registro administrativo oficial que monitora o fluxo CLT no Brasil.
  • CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas): padrão de categorização de atividades. Focamos aqui nas “Seções” (divisões macro).
  • Movimentação: soma absoluta de admissões e desligamentos. Proxy de volatilidade setorial.
  • Saldo: diferença entre admissões e desligamentos. O único indicador real de expansão ou retração de vagas.


1. Base numérica da análise

Os dados a seguir refletem o fluxo consolidado do mercado formal brasileiro.

Fonte oficial: Painel de Informações do Novo Caged – MTE

Total Brasil (Acumulado 2025):

  • Admissões: 24.613.999
  • Desligamentos: 23.460.651
  • Saldo líquido: +1.153.348

Análise de fluxo: a taxa de conversão do fluxo em estoque (crescimento líquido sobre o volume total movimentado) foi de aproximadamente 4,7%. Isso corrobora a tese de um mercado em expansão, porém caracterizado por alta rotatividade.

2. O tamanho real da movimentação em 2025

A somatória de entradas e saídas resultou em 48.074.650 vínculos formais movimentados. Este indicador de “Movimentação Total” sinaliza forte dinamismo econômico e reorganização constante de headcount.

É imperativo notar que o ajuste sazonal de dezembro representou, isoladamente, -618.164 vagas líquidas. Esse volume equivale a mais de 50% do saldo positivo acumulado até novembro. Analisar o ano sem considerar essa sazonalidade pode gerar distorções graves de planejamento.

Sobre a importância de olhar além do número absoluto de desligamentos, Paulo Krieser, CEO da Econodata, pontua:

“O erro mais comum na inteligência de mercado é confundir volume de desligamentos com crise setorial. Em setores de alta capilaridade como o varejo, milhares de demissões muitas vezes indicam apenas uma correção de rota ou sazonalidade, e não insolvência. A autoridade da análise está em cruzar o volume de saídas com o saldo líquido para identificar onde há perda real de tecido produtivo.”

3. Setores com maior volume absoluto de desligamentos

A Tabela 1 apresenta os setores que, em números absolutos, mais registraram saídas.

Tabela 1 – Desligamentos por Seção CNAE (2025)

Seção CNAE Setor Desligamentos absolutos Participação no total
G Comércio 5.970.593 25,4%
N Atividades administrativas 4.481.876 19,1%
C Indústrias de transformação 3.603.445 15,3%
F Construção 2.399.898 10,2%
H Transporte e armazenagem 1.347.835 5,7%

4. Intensidade de ajuste: a proporção desligamentos/admissões

Para isolar a “saúde” do setor, aplicamos o índice de rotatividade.

Tabela 2 – Índice de rotatividade setorial (2025)

Setor Admissões Desligamentos Índice de rotatividade
Indústria (C) 3.717.686 3.603.445 96,9%
Construção (F) 2.492.219 2.399.898 96,3%
Comércio (G) 6.204.392 5.970.593 96,2%
Serviços adm. (N) 4.683.891 4.481.876 95,7%
Transporte (H) 1.442.756 1.347.835 93,4%

Índices acima de 95% indicam alta substituição, demandando soluções de onboarding ágil e treinamento rápido por parte dos fornecedores.

5. Onde houve retração real: setores com saldo negativo

Diferente da alta rotatividade, o saldo negativo indica encolhimento da base instalada. Aqui reside o verdadeiro desafio de venda.

Tabela 3 — Setores com retração estrutural (saldo negativo anual)

Seção CNAE Setor Saldo anual
K Atividades financeiras e seguros -5.214
D Eletricidade e gás -2.087
B Indústrias extrativas -1.944
E Água, esgoto e resíduos -1.102

6. Implicações práticas para vendas B2B e roteiro de abordagem

Para equipes comerciais, a distinção entre “rotatividade” e “retração” altera o pitch de vendas. Em setores com saldo negativo, o argumento de “crescimento” é ineficaz; a venda deve ser pautada em eficiência por headcount.

Deep dive: estratégia para o setor financeiro (CNAE K)

O setor financeiro apresentou a maior retração absoluta (-5.214 vagas). O cenário é de consolidação digital e redução de agências físicas.

Objeção padrão: “Estamos congelados devido à redução de quadro.”

Roteiro de vendas avançado (foco em métricas de eficiência):

SDR/Closer: “Compreendo perfeitamente o cenário de reestruturação. Analisando os dados do setor financeiro (CNAE K), notei que, embora o quadro de funcionários tenha reduzido, a demanda operacional e as metas de receita permanecem as mesmas ou aumentaram. Isso cria um gap de produtividade per capita.”

SDR/Closer (aprofundamento): “Minha proposta não é adicionar um custo, mas aumentar a métrica de Eficiência por Headcount. Se a sua equipe encolheu 5%, a necessidade de automação aumentou proporcionalmente para manter o SLA. Nossa solução recupera aproximadamente 15% das horas-homem da equipe atual, permitindo que o time remanescente absorva a demanda sem burnout. Podemos simular esse ganho de eficiência em uma reunião breve?”

Diretrizes por cenário:

  1. Setores em crescimento: venda escala e velocidade.
  2. Setores estáveis (alta rotatividade): venda redução de turnover e ramp-up rápido.
  3. Setores em retração: venda automação, redução de Opex e aumento de receita por funcionário.

7. Metodologia Econodata

A Econodata processa dados públicos governamentais transformando Big Data em inteligência comercial acionável. Nossos algoritmos realizam:

  • cruzamento detalhado por CNAE e região;
  • classificação por porte de empresa;
  • identificação de padrões de crescimento ou retração.

Isso permite que sua operação comercial evite a prospecção em territórios estagnados e foque esforços onde há maior propensão de compra, otimizando o CAC (Custo de Aquisição de Clientes).

Perguntas frequentes sobre os dados do Caged

1. O alto número de desligamentos em 2025 indica uma crise?

Não. O saldo final positivo (+1,15 milhão) demonstra que os desligamentos refletem a dinâmica de um mercado aquecido.

2. Quais setores devo priorizar na prospecção?

Priorize setores com saldo positivo para vendas de expansão. Para setores em retração (financeiro, utilities), utilize abordagens consultivas focadas em eficiência operacional.

3. Como a defasagem do Caged impacta minha estratégia?

A defasagem exige que a análise observe tendências trimestrais ou anuais, e não apenas o dado do último mês, para evitar reações a ruídos estatísticos temporários.

4. Onde consultar os dados oficiais?

Recomendamos o Painel do Novo Caged no site do Ministério do Trabalho e Emprego.

Conclusão

A leitura dos dados de 2025 confirma que o mercado brasileiro passou por uma reorganização intensa, movimentando 48 milhões de vínculos, com retração estrutural restrita a quatro setores específicos.

Para fornecedores B2B, a maturidade estratégica reside em não reagir a manchetes alarmistas, mas interpretar o saldo líquido e a intenção por trás dos números. Menos suposição, mais inteligência de dados.

luis rocha
Especialista em Marketing at  |  + posts

Tem mais de 20 anos de experiência em comunicação digital. Sua trajetória é marcada pela aplicação estratégica de Inbound Marketing, IA, Conteúdo e SEO.

Inclusive, isso rendeu o convite para se tornar um dos embaixadores da RD Station no Brasil. Já teve artigo publicado no blog da empresa e case de sucesso em conversões de landing pages.

Ao longo da carreira, suas campanhas de e-mail marketing ajudaram empresas do setor SaaS a faturarem mais de R$10 milhões.

Também colaborou com agências digitais de pequeno e médio porte na conquista de grandes contas, vencendo concorrências em projetos avaliados em mais de R$2 milhões.

Luis Rocha

Tem mais de 20 anos de experiência em comunicação digital. Sua trajetória é marcada pela aplicação estratégica de Inbound Marketing, IA, Conteúdo e SEO. Inclusive, isso rendeu o convite para se tornar um dos embaixadores da RD Station no Brasil. Já teve artigo publicado no blog da empresa e case de sucesso em conversões de landing pages. Ao longo da carreira, suas campanhas de e-mail marketing ajudaram empresas do setor SaaS a faturarem mais de R$10 milhões. Também colaborou com agências digitais de pequeno e médio porte na conquista de grandes contas, vencendo concorrências em projetos avaliados em mais de R$2 milhões.