Este é o quinto e último artigo da série especial da Econodata sobre o Novo Caged em 2025.
Se você acompanhou os quatro textos anteriores, já viu o filme inteiro:
- o mercado formal cresceu no acumulado do ano;
- mas não cresceu em linha reta;
- e o “plot twist” veio no fim: dezembro.
O objetivo aqui é fechar o ciclo com uma entrega prática:
Dados → insight → ação
Como transformar um dado público (Caged) em decisões reais de planejamento comercial, definição de ICP e foco de prospecção e como a Econodata entra como ponte entre o macro e a lista de contas.
Sumário
- Metodologia e fontes oficiais
- Dezembro como “stress test” do mercado formal
- O que o Caged 2025 diz em três números que importam
- Onde vender em 2026: setores em expansão
- Onde vender em 2026: regiões e UFs aquecidas
- Como usar isso no planejamento comercial (passo a passo)
- Como conectar Caged ao uso da Econodata
- Perguntas frequentes
1) Metodologia e fontes oficiais
Os dados desta série utilizam o Novo Caged (Ministério do Trabalho e Emprego), com consolidação jan–dez/2025 (incluindo ajustes informados fora do prazo).
Fontes oficiais recomendadas para consulta:
- Novo Caged (página principal / estatísticas): https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/estatisticas-trabalho/novo-caged
- Microdados RAIS e Caged (PDET): https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/estatisticas-trabalho/microdados-rais-e-caged
- Painel do Novo Caged (Power BI oficial): http://pdet.mte.gov.br/novo-caged
2) Dezembro como “stress test” do mercado formal
Se você quer um indicador rápido de “apetite de risco” das empresas para o início do ano seguinte, dezembro é um termômetro.
Em 2025, dezembro registrou um ajuste líquido de:
Saldo de dezembro/2025: -618.164 vagas
Esse número é grande por um motivo simples: dezembro concentra o encerramento de contratos temporários, os ajustes orçamentários, a reorganização de estruturas e a “limpeza” de folha para o ciclo seguinte.
A leitura madura não é “o Brasil quebrou”. É esta:
Dezembro mostra onde a operação está esticada e onde o orçamento está sendo recalibrado.
Para o B2B, isso muda discurso, timing e prioridades.
3) O que o Caged 2025 diz em três números que importam
Tabela 1 — O ano em números (Brasil)
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Admissões (2025) | 24.613.999 |
| Desligamentos (2025) | 23.460.651 |
| Saldo líquido (2025) | +1.153.348 |
| Movimentação total (admissões + desligamentos) | 48.074.650 |
| Saldo líquido de dezembro/2025 | -618.164 |
Insight central: o mercado cresceu, mas com alta movimentação. Isso é perfeito para planejamento comercial porque obriga a abandonar a tese genérica e operar com foco: setor + região + narrativa certa.
4) Onde vender em 2026: setores em expansão
O Caged não diz quem vai comprar de você, mas diz onde o mercado formal está expandindo estrutura, o que costuma andar junto de:
- abertura de unidades;
- aumento de operação;
- mais volume transacional;
- mais pressão por produtividade.
Tabela 2 — Setores com maior saldo positivo em 2025 (Seção CNAE)
| Seção CNAE | Setor | Saldo 2025 |
|---|---|---|
| G | Comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas | +233.799 |
| N | Atividades administrativas e serviços complementares | +202.015 |
| Q | Saúde humana e serviços sociais | +135.559 |
| C | Indústrias de transformação | +114.241 |
| H | Transporte, armazenagem e correio | +94.921 |
| F | Construção | +92.321 |
Como isso vira decisão comercial:
- Se seu ticket depende de “expansão”, priorize setores com saldo forte.
- Se seu ticket depende de “eficiência”, setores com muita movimentação e rotatividade (mesmo com saldo positivo) são terreno fértil para ganho de produtividade por processo e dados.
5) Onde vender em 2026: regiões e UFs aquecidas
A mesma lógica vale para geografia: crescimento tem CEP.
Tabela 3 — Saldo por região (2025)
| Região | Saldo 2025 |
|---|---|
| Sudeste | +409.636 |
| Nordeste | +325.626 |
| Sul | +186.516 |
| Centro-Oeste | +150.902 |
| Norte | +80.668 |
E quando você desce para UF, aparecem oportunidades claras fora do “óbvio SP”.
Tabela 4 — Top 12 UFs por saldo líquido (2025)
| UF | Saldo 2025 |
|---|---|
| São Paulo (SP) | +316.833 |
| Bahia (BA) | +90.772 |
| Paraná (PR) | +80.587 |
| Minas Gerais (MG) | +78.609 |
| Pernambuco (PE) | +67.115 |
| Santa Catarina (SC) | +58.200 |
| Distrito Federal (DF) | +52.060 |
| Ceará (CE) | +48.323 |
| Rio Grande do Sul (RS) | +47.729 |
| Goiás (GO) | +47.317 |
| Pará (PA) | +32.726 |
| Mato Grosso (MT) | +31.627 |
Insight de planejamento: se você só prioriza SP, você até ganha volume, mas pode perder eficiência. Estados como BA, PR, PE e SC podem entregar boa tração com menos saturação competitiva, dependendo do seu mercado.
6) Como usar isso no planejamento comercial (passo a passo)
Aqui está o playbook prático para entrar em 2026 com menos achismo.
Passo 1 – Defina a hipótese de crescimento (e o risco)
Escolha 1 objetivo principal:
- crescer pipeline;
- crescer taxa de conversão;
- reduzir CAC;
- aumentar ticket;
- reduzir churn.
Sem isso, você vira escravo do volume.
Passo 2 – Construa uma matriz Setor × Região
Use as tabelas como “mapa” e cruze:
- setores líderes (CNAE G, N, Q, C, H, F)
- com regiões/UFs com maior saldo (Sudeste/Nordeste e Top UFs)
O output não é um slide bonito. É uma priorização de territórios.
Passo 3 — Transforme macro em ICP operacional
ICP bom não é “setor + porte + região” só no PowerPoint.
ICP operacional é:
- CNAE (nível mais detalhado possível);
- porte adequado ao seu ticket;
- UF/cidade com tração;
- e sinais de estrutura (exemplos: quantidade de funcionários, matriz/filial, tempo de operação).
Passo 4 – Ajuste o discurso com base nos dados de dezembro (o que ele sinaliza)
Dezembro te ensina uma regra de ouro:
- onde a empresa está ajustando quadro, vender expansão soa fora de contexto;
- onde a empresa segue contratando no acumulado, vender eficiência para escalar faz sentido.
Em 2026, “um único pitch para todo mundo” tende a performar pior.
Passo 5 – Defina cadência e timing por território
- Territórios em expansão: cadência mais intensa, argumento de escala.
- Territórios em ajuste: cadência mais seletiva, argumento de eficiência, ROI, priorização.
Passo 6 – Crie uma rotina de inteligência
- Revisão macro (mensal): Caged.
- Revisão tática (semanal): listas e abordagens no CRM.
- Revisão estratégica (trimestral): ICP e priorização de territórios.
7) Como conectar Caged ao uso da Econodata
O Caged responde “onde o mercado está se movendo”.
A Econodata responde “quais empresas compõem esse movimento” com segmentação de verdade.
O fluxo prático fica assim:
- Escolha o território (UF/região) com base no saldo.
- Escolha o setor (CNAE) com base na tração.
- Na Econodata, monte listas com:
- CNAE detalhado (para sair do genérico);
- porte (faixa de funcionários e/ou faturamento estimado);
- localização (UF/cidade/região);
- filtros de qualificação (conforme seu caso).
- Distribua por time/território (SDR/BDR/AE).
- Ajuste o argumento (expansão vs. eficiência) com base no cenário do setor/território.
Resultado esperado: menos lista inflada, mais foco em quem tem contexto econômico favorável para comprar.
Perguntas frequentes sobre planejamento comercial
Não necessariamente. Dezembro costuma concentrar ajustes sazonais e orçamentários. Em 2025, o ano ainda fechou com saldo +1.153.348.
Porque emprego formal é proxy de atividade operacional. Onde a operação cresce, surgem mais demandas por fornecedores.
Não. Em muitos casos, são ótimos para vender eficiência, automação, processo e produtividade, mesmo quando o saldo líquido não explode.
SP lidera em volume, mas não é automaticamente o melhor em eficiência. BA, PR, PE e SC podem ter ótima tração e menor saturação, dependendo do seu ICP.
Como indicador de ajuste: ele ajuda a calibrar discurso (menos expansão, mais eficiência) e a planejar timing de campanhas e cadência.
Caged dá o mapa. Econodata dá o GPS: transforma “setor e região” em empresas reais, segmentadas e acionáveis.
Planejamento comercial exige disciplina
O Caged de dezembro ensina uma coisa com clareza:
Planejamento comercial bom não nasce de feeling.
Nasce de leitura de cenário + execução disciplinada.
Em 2026, quem operar com setor + região + ICP claro + discurso calibrado vai vender mais e vender melhor.
E é exatamente aí que a Econodata se posiciona: como a camada que transforma dado público em inteligência comercial aplicável.

Tem mais de 20 anos de experiência em comunicação digital. Sua trajetória é marcada pela aplicação estratégica de Inbound Marketing, IA, Conteúdo e SEO.
Inclusive, isso rendeu o convite para se tornar um dos embaixadores da RD Station no Brasil. Já teve artigo publicado no blog da empresa e case de sucesso em conversões de landing pages.
Ao longo da carreira, suas campanhas de e-mail marketing ajudaram empresas do setor SaaS a faturarem mais de R$10 milhões.
Também colaborou com agências digitais de pequeno e médio porte na conquista de grandes contas, vencendo concorrências em projetos avaliados em mais de R$2 milhões.

