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Caged: lições sobre planejamento comercial para 2026

Este é o quinto e último artigo da série especial da Econodata sobre o Novo Caged em 2025.

Se você acompanhou os quatro textos anteriores, já viu o filme inteiro:

  • o mercado formal cresceu no acumulado do ano;
  • mas não cresceu em linha reta;
  • e o “plot twist” veio no fim: dezembro.

O objetivo aqui é fechar o ciclo com uma entrega prática:


Sumário

  1. Metodologia e fontes oficiais
  2. Dezembro como “stress test” do mercado formal
  3. O que o Caged 2025 diz em três números que importam
  4. Onde vender em 2026: setores em expansão
  5. Onde vender em 2026: regiões e UFs aquecidas
  6. Como usar isso no planejamento comercial (passo a passo)
  7. Como conectar Caged ao uso da Econodata
  8. Perguntas frequentes


1) Metodologia e fontes oficiais

Os dados desta série utilizam o Novo Caged (Ministério do Trabalho e Emprego), com consolidação jan–dez/2025 (incluindo ajustes informados fora do prazo).

Fontes oficiais recomendadas para consulta:

2) Dezembro como “stress test” do mercado formal

Se você quer um indicador rápido de “apetite de risco” das empresas para o início do ano seguinte, dezembro é um termômetro.

Em 2025, dezembro registrou um ajuste líquido de:

Saldo de dezembro/2025: -618.164 vagas

Esse número é grande por um motivo simples: dezembro concentra o encerramento de contratos temporários, os ajustes orçamentários, a reorganização de estruturas e a “limpeza” de folha para o ciclo seguinte.

A leitura madura não é “o Brasil quebrou”. É esta:

3) O que o Caged 2025 diz em três números que importam

Tabela 1 — O ano em números (Brasil)

Indicador Valor
Admissões (2025) 24.613.999
Desligamentos (2025) 23.460.651
Saldo líquido (2025) +1.153.348
Movimentação total (admissões + desligamentos) 48.074.650
Saldo líquido de dezembro/2025 -618.164

Insight central: o mercado cresceu, mas com alta movimentação. Isso é perfeito para planejamento comercial porque obriga a abandonar a tese genérica e operar com foco: setor + região + narrativa certa.

4) Onde vender em 2026: setores em expansão

O Caged não diz quem vai comprar de você, mas diz onde o mercado formal está expandindo estrutura, o que costuma andar junto de:

  • abertura de unidades;
  • aumento de operação;
  • mais volume transacional;
  • mais pressão por produtividade.

Tabela 2 — Setores com maior saldo positivo em 2025 (Seção CNAE)

Seção CNAE Setor Saldo 2025
G Comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas +233.799
N Atividades administrativas e serviços complementares +202.015
Q Saúde humana e serviços sociais +135.559
C Indústrias de transformação +114.241
H Transporte, armazenagem e correio +94.921
F Construção +92.321

Como isso vira decisão comercial:

  • Se seu ticket depende de “expansão”, priorize setores com saldo forte.
  • Se seu ticket depende de “eficiência”, setores com muita movimentação e rotatividade (mesmo com saldo positivo) são terreno fértil para ganho de produtividade por processo e dados.

5) Onde vender em 2026: regiões e UFs aquecidas

A mesma lógica vale para geografia: crescimento tem CEP.

Tabela 3 — Saldo por região (2025)

Região Saldo 2025
Sudeste +409.636
Nordeste +325.626
Sul +186.516
Centro-Oeste +150.902
Norte +80.668

E quando você desce para UF, aparecem oportunidades claras fora do “óbvio SP”.

Tabela 4 — Top 12 UFs por saldo líquido (2025)

UF Saldo 2025
São Paulo (SP) +316.833
Bahia (BA) +90.772
Paraná (PR) +80.587
Minas Gerais (MG) +78.609
Pernambuco (PE) +67.115
Santa Catarina (SC) +58.200
Distrito Federal (DF) +52.060
Ceará (CE) +48.323
Rio Grande do Sul (RS) +47.729
Goiás (GO) +47.317
Pará (PA) +32.726
Mato Grosso (MT) +31.627

Insight de planejamento: se você só prioriza SP, você até ganha volume, mas pode perder eficiência. Estados como BA, PR, PE e SC podem entregar boa tração com menos saturação competitiva, dependendo do seu mercado.

6) Como usar isso no planejamento comercial (passo a passo)

Aqui está o playbook prático para entrar em 2026 com menos achismo.

Passo 1 – Defina a hipótese de crescimento (e o risco)

Escolha 1 objetivo principal:

  • crescer pipeline;
  • crescer taxa de conversão;
  • reduzir CAC;
  • aumentar ticket;
  • reduzir churn.

Sem isso, você vira escravo do volume.

Passo 2 – Construa uma matriz Setor × Região

Use as tabelas como “mapa” e cruze:

  • setores líderes (CNAE G, N, Q, C, H, F)
  • com regiões/UFs com maior saldo (Sudeste/Nordeste e Top UFs)

O output não é um slide bonito. É uma priorização de territórios.

Passo 3 — Transforme macro em ICP operacional

ICP bom não é “setor + porte + região” só no PowerPoint.

ICP operacional é:

  • CNAE (nível mais detalhado possível);
  • porte adequado ao seu ticket;
  • UF/cidade com tração;
  • e sinais de estrutura (exemplos: quantidade de funcionários, matriz/filial, tempo de operação).

Passo 4 – Ajuste o discurso com base nos dados de dezembro (o que ele sinaliza)

Dezembro te ensina uma regra de ouro:

  • onde a empresa está ajustando quadro, vender expansão soa fora de contexto;
  • onde a empresa segue contratando no acumulado, vender eficiência para escalar faz sentido.

Em 2026, “um único pitch para todo mundo” tende a performar pior.

Passo 5 – Defina cadência e timing por território

  • Territórios em expansão: cadência mais intensa, argumento de escala.
  • Territórios em ajuste: cadência mais seletiva, argumento de eficiência, ROI, priorização.

Passo 6 – Crie uma rotina de inteligência

  • Revisão macro (mensal): Caged.
  • Revisão tática (semanal): listas e abordagens no CRM.
  • Revisão estratégica (trimestral): ICP e priorização de territórios.

7) Como conectar Caged ao uso da Econodata

O Caged responde “onde o mercado está se movendo”.
A Econodata responde “quais empresas compõem esse movimento” com segmentação de verdade.

O fluxo prático fica assim:

  1. Escolha o território (UF/região) com base no saldo.
  2. Escolha o setor (CNAE) com base na tração.
  3. Na Econodata, monte listas com:

    • CNAE detalhado (para sair do genérico);
    • porte (faixa de funcionários e/ou faturamento estimado);
    • localização (UF/cidade/região);
    • filtros de qualificação (conforme seu caso).

  4. Distribua por time/território (SDR/BDR/AE).
  5. Ajuste o argumento (expansão vs. eficiência) com base no cenário do setor/território.

Resultado esperado: menos lista inflada, mais foco em quem tem contexto econômico favorável para comprar.

Perguntas frequentes sobre planejamento comercial

1) O saldo negativo de dezembro significa recessão?

Não necessariamente. Dezembro costuma concentrar ajustes sazonais e orçamentários. Em 2025, o ano ainda fechou com saldo +1.153.348.

2) Por que o dado de emprego ajuda em vendas B2B?

Porque emprego formal é proxy de atividade operacional. Onde a operação cresce, surgem mais demandas por fornecedores.

3) Setores com alta rotatividade são ruins para prospectar?

Não. Em muitos casos, são ótimos para vender eficiência, automação, processo e produtividade, mesmo quando o saldo líquido não explode.

4) O melhor território é sempre SP?

SP lidera em volume, mas não é automaticamente o melhor em eficiência. BA, PR, PE e SC podem ter ótima tração e menor saturação, dependendo do seu ICP.

5) Como usar dezembro no planejamento 2026?

Como indicador de ajuste: ele ajuda a calibrar discurso (menos expansão, mais eficiência) e a planejar timing de campanhas e cadência.

6) Qual é a ponte entre macro e lista de prospecção?

Caged dá o mapa. Econodata dá o GPS: transforma “setor e região” em empresas reais, segmentadas e acionáveis.


Planejamento comercial exige disciplina

O Caged de dezembro ensina uma coisa com clareza:

Em 2026, quem operar com setor + região + ICP claro + discurso calibrado vai vender mais e vender melhor.

E é exatamente aí que a Econodata se posiciona: como a camada que transforma dado público em inteligência comercial aplicável.

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luis rocha
Especialista em Marketing at  |  + posts

Tem mais de 20 anos de experiência em comunicação digital. Sua trajetória é marcada pela aplicação estratégica de Inbound Marketing, IA, Conteúdo e SEO.

Inclusive, isso rendeu o convite para se tornar um dos embaixadores da RD Station no Brasil. Já teve artigo publicado no blog da empresa e case de sucesso em conversões de landing pages.

Ao longo da carreira, suas campanhas de e-mail marketing ajudaram empresas do setor SaaS a faturarem mais de R$10 milhões.

Também colaborou com agências digitais de pequeno e médio porte na conquista de grandes contas, vencendo concorrências em projetos avaliados em mais de R$2 milhões.

Luis Rocha

Tem mais de 20 anos de experiência em comunicação digital. Sua trajetória é marcada pela aplicação estratégica de Inbound Marketing, IA, Conteúdo e SEO. Inclusive, isso rendeu o convite para se tornar um dos embaixadores da RD Station no Brasil. Já teve artigo publicado no blog da empresa e case de sucesso em conversões de landing pages. Ao longo da carreira, suas campanhas de e-mail marketing ajudaram empresas do setor SaaS a faturarem mais de R$10 milhões. Também colaborou com agências digitais de pequeno e médio porte na conquista de grandes contas, vencendo concorrências em projetos avaliados em mais de R$2 milhões.