Este artigo inaugura uma série estratégica de 5 publicações que a Econodata disponibilizará ao longo desta semana, aprofundando os sinais cruciais revelados pelos dados consolidados do Caged em 2025.
Mais do que analisar o saldo final do ano, o objetivo desta série é converter indicadores macroeconômicos em inteligência acionável para decisões B2B: planejamento estratégico, vendas complexas, marketing e inteligência de mercado.
A premissa é clara: a relevância não reside apenas no volume absoluto de empregos criados ou extintos, mas na forma como o mercado formal se reorganizou, quais setores demonstraram resiliência, onde ocorreram os ajustes estruturais e o que esses movimentos projetam para o cenário de 2026.
Sumário Executivo
- O que é o Caged e sua relevância analítica
- O saldo agregado e a realidade do mercado
- O ritmo do emprego formal em 2025
- Meses de inflexão: pontos de virada
- Setores que sustentaram o emprego formal
- Evidências de desaceleração setorial
- Impactos na estratégia B2B para 2026
- Aplicação prática em Inteligência de Mercado (com dados da Econodata)
- FAQ: Mercado de trabalho em 2025
O que é o Caged e por que ele importa
O Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) constitui uma das principais bases de dados governamentais para o monitoramento mensal da movimentação do emprego celetista no Brasil. Ao registrar admissões e desligamentos, ele permite aferir o saldo líquido de postos de trabalho com alta granularidade.
Desde 2020, a metodologia foi atualizada para o Novo Caged, que integra dados do eSocial e outras bases administrativas para ampliar a precisão das estatísticas. Para consultas detalhadas da metodologia e números oficiais, é possível acessar diretamente o portal oficial do Novo Caged.
Definição de “emprego” nesta análise
Neste estudo, o termo “emprego” refere-se estritamente ao vínculo formal de trabalho (CLT), monitorado pelo Novo Caged.
Estão excluídas ocupações informais, trabalho autônomo sem vínculo ou regimes estatutários fora do escopo. Portanto, o Caged atua como um sensor de alta confiabilidade da atividade econômica formal: antecipa ciclos de expansão, sinaliza ajustes de caixa e revela migrações estruturais entre setores.
O saldo agregado esconde o verdadeiro movimento do mercado
O Brasil encerrou 2025 com um saldo positivo aproximado de 1,25 milhão de empregos formais. Embora o dado absoluto sugira expansão, uma análise mais técnica revela nuances críticas.
Segundo nossa área de Inteligência de Mercado, “o número agregado mascara a volatilidade mensal; o mercado cresceu em ondas distintas, intercalando aceleração com ajustes severos, especialmente no encerramento do exercício”. Para líderes B2B, compreender essa dinâmica é superior a observar apenas o indicador final.
O ritmo real do emprego formal em 2025
A análise temporal demonstra que o primeiro semestre concentrou a robustez do crescimento. Fevereiro destacou-se com o maior superávit mensal, impulsionado por:
- recomposição de quadros funcionais;
- expansão de capacidade operacional;
- otimismo orçamentário típico de início de ciclo.
No segundo semestre, observou-se uma mudança de padrão. A geração de vagas persistiu, porém caracterizada por:
- menor intensidade volumétrica;
- maior volatilidade entre meses;
- seletividade rigorosa nas contratações.
O insight central é a recalibragem de risco: as empresas mantiveram as contratações, mas ajustaram o timing e a estrutura de custos.
Meses de inflexão: quando o jogo virou
Dois períodos operaram como divisores de águas nos dados de 2025:
Fevereiro: O pico de aceleração
Registrou o ápice da expansão, validando o planejamento anual das corporações e a execução de orçamentos aprovados.
Dezembro: O ajuste estrutural
O último mês apresentou um saldo negativo relevante, corrigindo parte do crescimento. Esse movimento reflete:
- fechamento de balanços e ajustes de OPEX;
- término de contratos sazonais e temporários;
- reorganização de organogramas para o ano seguinte.
Para o B2B, dezembro atua como um indicador antecedente (leading indicator) da propensão ao risco das empresas para o Q1 do ano subsequente.
Quais setores sustentaram o emprego formal
A heterogeneidade setorial foi marcante. O saldo positivo de 2025 foi alicerçado fundamentalmente por:
- Comércio (Varejo e Atacado);
- Atividades administrativas e serviços complementares;
- Saúde humana e serviços sociais;
- Construção Civil;
- Transporte, logística e armazenagem.
A performance destes segmentos sinaliza:
- resiliência operacional frente ao cenário macro;
- demanda inelástica ou recorrente;
- dependência intensiva de capital humano.
Em termos de inteligência comercial, estes são os clusters com maior probabilidade de conversão, abertura para novos fornecedores e disponibilidade de CAPEX/OPEX.
Onde os sinais de desaceleração ficaram evidentes
Em contrapartida, setores específicos apresentaram estagnação ou oscilação negativa, sugerindo:
- alongamento dos ciclos de venda;
- foco estrito em eficiência operacional em detrimento da expansão;
- risco elevado de churn ou redução de contratos (downsell).
O ponto crítico não é a retração isolada, mas a assimetria entre setores, o que exige uma segmentação de mercado cirúrgica.
O que esses dados mudam na leitura B2B para 2026
A consolidação dos dados do Caged de 2025 oferece três diretrizes estratégicas:
- O mercado não vive uma retração sistêmica, mas tampouco uma expansão homogênea.
- Há “motores” claros de crescimento no B2B, enquanto outros segmentos exigem abordagens consultivas e de mitigação de risco.
- Estratégias de prospecção baseadas em volume (spray and pray) perderão eficiência para abordagens baseadas em dados (account-based).
É neste cruzamento que a análise macroeconômica se transforma em vantagem competitiva.
Como usar essa análise em inteligência de mercado e prospecção (com dados da Econodata)
Dados sem aplicação prática geram apenas ruído. O valor real surge ao cruzar a tendência de empregabilidade com o perfil das empresas alvo.
Passo 1 – Defina a tese estratégica
Questione:
- Onde o mercado está alocando recursos humanos (sinal de expansão)?
- Quais setores apresentam maior risco de crédito ou corte de fornecedores em 2026?
- Onde a força de vendas deve concentrar energia agora?
Passo 2 – Converta o Caged em critério de ICP (Ideal Customer Profile)
Segmente sua base em tiers:
- Tier 1: Sustentação clara do emprego (Alta propensão);
- Tier 2: Crescimento com volatilidade (Média propensão);
- Tier 3: Sinais de ajuste (Risco/Oportunidade de eficiência).
Passo 3 – Traduza setores em CNAEs operacionais
Utilize a Lista de CNAEs para eliminar generalismos e operar com precisão fiscal e mercadológica.
Passo 4 – Gere listas qualificadas na plataforma Econodata
Aplique filtros combinados para extrair o máximo potencial da segmentação. Exemplo real de combinação na plataforma:
Filtro: Setor de Saúde + CNAE 8630-5 (Atividades de atenção ambulatorial executadas por médicos e odontólogos) + Empresas com mais de 50 funcionários + Região Sudeste.
Passo 5 — Ajuste o pitch comercial
Contextualize a abordagem:
- Setores em expansão: Foco em escalabilidade, velocidade e tecnologia;
- Setores em ajuste: Foco em ROI imediato, redução de custos e otimização de processos.
Passo 6 – Recalibre a cadência
A intensidade dos touchpoints deve espelhar o momento do setor, respeitando o ciclo de compra.
Passo 7 – Implemente a rotina de Inteligência
- Monitoramento mensal dos indicadores do Caged;
- Revisão trimestral dos critérios de ICP;
- Prospecção guiada por data-driven decision making.
Resultado: Eliminação do “achismo” e direcionamento de recursos para onde a liquidez do mercado realmente se encontra.

Conclusão
O comportamento do emprego formal em 2025 não foi linear; foi um ano de reorganização estrutural.
Decifrar esse movimento é o pré-requisito para estratégias de vendas eficazes em 2026. Este artigo introduz o tema; as próximas publicações detalharão verticais específicas, nuances regionais e as implicações táticas para o ecossistema B2B.
Perguntas frequentes sobre o emprego formal em 2025
O saldo anual foi positivo, indicando geração líquida de vagas, a despeito do ajuste sazonal observado em dezembro.
Fevereiro registrou o maior saldo positivo, marcando o pico de aceleração do ano.
Não necessariamente. O dado reflete um ajuste estrutural e sazonal típico, e não uma retração econômica contínua.
Os destaques foram Comércio, Serviços Administrativos, Saúde, Construção Civil e Logística/Transportes.
O cenário é de crescimento seletivo. Depende diretamente do setor de atuação, exigindo alta capacidade de segmentação e inteligência de mercado.
Utilize os dados para recalibrar o ICP (Perfil de Cliente Ideal), ajustar o timing de abordagem e personalizar o discurso conforme a saúde financeira e operacional de cada setor.
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