No momento, você está visualizando Caged: O raio-X do emprego formal no Brasil em 2025

Caged: O raio-X do emprego formal no Brasil em 2025

Este artigo inaugura uma série estratégica de 5 publicações que a Econodata disponibilizará ao longo desta semana, aprofundando os sinais cruciais revelados pelos dados consolidados do Caged em 2025.

Mais do que analisar o saldo final do ano, o objetivo desta série é converter indicadores macroeconômicos em inteligência acionável para decisões B2B: planejamento estratégico, vendas complexas, marketing e inteligência de mercado.

A premissa é clara: a relevância não reside apenas no volume absoluto de empregos criados ou extintos, mas na forma como o mercado formal se reorganizou, quais setores demonstraram resiliência, onde ocorreram os ajustes estruturais e o que esses movimentos projetam para o cenário de 2026.


Sumário Executivo

  1. O que é o Caged e sua relevância analítica
  2. O saldo agregado e a realidade do mercado
  3. O ritmo do emprego formal em 2025
  4. Meses de inflexão: pontos de virada
  5. Setores que sustentaram o emprego formal
  6. Evidências de desaceleração setorial
  7. Impactos na estratégia B2B para 2026
  8. Aplicação prática em Inteligência de Mercado (com dados da Econodata)
  9. FAQ: Mercado de trabalho em 2025


O que é o Caged e por que ele importa

O Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) constitui uma das principais bases de dados governamentais para o monitoramento mensal da movimentação do emprego celetista no Brasil. Ao registrar admissões e desligamentos, ele permite aferir o saldo líquido de postos de trabalho com alta granularidade.

Desde 2020, a metodologia foi atualizada para o Novo Caged, que integra dados do eSocial e outras bases administrativas para ampliar a precisão das estatísticas. Para consultas detalhadas da metodologia e números oficiais, é possível acessar diretamente o portal oficial do Novo Caged.

Definição de “emprego” nesta análise

Neste estudo, o termo “emprego” refere-se estritamente ao vínculo formal de trabalho (CLT), monitorado pelo Novo Caged.

Estão excluídas ocupações informais, trabalho autônomo sem vínculo ou regimes estatutários fora do escopo. Portanto, o Caged atua como um sensor de alta confiabilidade da atividade econômica formal: antecipa ciclos de expansão, sinaliza ajustes de caixa e revela migrações estruturais entre setores.

O saldo agregado esconde o verdadeiro movimento do mercado

O Brasil encerrou 2025 com um saldo positivo aproximado de 1,25 milhão de empregos formais. Embora o dado absoluto sugira expansão, uma análise mais técnica revela nuances críticas.

Segundo nossa área de Inteligência de Mercado, “o número agregado mascara a volatilidade mensal; o mercado cresceu em ondas distintas, intercalando aceleração com ajustes severos, especialmente no encerramento do exercício”. Para líderes B2B, compreender essa dinâmica é superior a observar apenas o indicador final.

O ritmo real do emprego formal em 2025

A análise temporal demonstra que o primeiro semestre concentrou a robustez do crescimento. Fevereiro destacou-se com o maior superávit mensal, impulsionado por:

  • recomposição de quadros funcionais;
  • expansão de capacidade operacional;
  • otimismo orçamentário típico de início de ciclo.

No segundo semestre, observou-se uma mudança de padrão. A geração de vagas persistiu, porém caracterizada por:

  • menor intensidade volumétrica;
  • maior volatilidade entre meses;
  • seletividade rigorosa nas contratações.

O insight central é a recalibragem de risco: as empresas mantiveram as contratações, mas ajustaram o timing e a estrutura de custos.

Meses de inflexão: quando o jogo virou

Dois períodos operaram como divisores de águas nos dados de 2025:

Fevereiro: O pico de aceleração

Registrou o ápice da expansão, validando o planejamento anual das corporações e a execução de orçamentos aprovados.

Dezembro: O ajuste estrutural

O último mês apresentou um saldo negativo relevante, corrigindo parte do crescimento. Esse movimento reflete:

  • fechamento de balanços e ajustes de OPEX;
  • término de contratos sazonais e temporários;
  • reorganização de organogramas para o ano seguinte.

Para o B2B, dezembro atua como um indicador antecedente (leading indicator) da propensão ao risco das empresas para o Q1 do ano subsequente.

Quais setores sustentaram o emprego formal

A heterogeneidade setorial foi marcante. O saldo positivo de 2025 foi alicerçado fundamentalmente por:

  • Comércio (Varejo e Atacado);
  • Atividades administrativas e serviços complementares;
  • Saúde humana e serviços sociais;
  • Construção Civil;
  • Transporte, logística e armazenagem.

A performance destes segmentos sinaliza:

  • resiliência operacional frente ao cenário macro;
  • demanda inelástica ou recorrente;
  • dependência intensiva de capital humano.

Em termos de inteligência comercial, estes são os clusters com maior probabilidade de conversão, abertura para novos fornecedores e disponibilidade de CAPEX/OPEX.

Onde os sinais de desaceleração ficaram evidentes

Em contrapartida, setores específicos apresentaram estagnação ou oscilação negativa, sugerindo:

  • alongamento dos ciclos de venda;
  • foco estrito em eficiência operacional em detrimento da expansão;
  • risco elevado de churn ou redução de contratos (downsell).

O ponto crítico não é a retração isolada, mas a assimetria entre setores, o que exige uma segmentação de mercado cirúrgica.

O que esses dados mudam na leitura B2B para 2026

A consolidação dos dados do Caged de 2025 oferece três diretrizes estratégicas:

  1. O mercado não vive uma retração sistêmica, mas tampouco uma expansão homogênea.
  2. Há “motores” claros de crescimento no B2B, enquanto outros segmentos exigem abordagens consultivas e de mitigação de risco.
  3. Estratégias de prospecção baseadas em volume (spray and pray) perderão eficiência para abordagens baseadas em dados (account-based).

É neste cruzamento que a análise macroeconômica se transforma em vantagem competitiva.

Como usar essa análise em inteligência de mercado e prospecção (com dados da Econodata)

Dados sem aplicação prática geram apenas ruído. O valor real surge ao cruzar a tendência de empregabilidade com o perfil das empresas alvo.

Passo 1 – Defina a tese estratégica

Questione:

  • Onde o mercado está alocando recursos humanos (sinal de expansão)?
  • Quais setores apresentam maior risco de crédito ou corte de fornecedores em 2026?
  • Onde a força de vendas deve concentrar energia agora?

Passo 2 – Converta o Caged em critério de ICP (Ideal Customer Profile)

Segmente sua base em tiers:

  • Tier 1: Sustentação clara do emprego (Alta propensão);
  • Tier 2: Crescimento com volatilidade (Média propensão);
  • Tier 3: Sinais de ajuste (Risco/Oportunidade de eficiência).

Passo 3 – Traduza setores em CNAEs operacionais

Utilize a Lista de CNAEs para eliminar generalismos e operar com precisão fiscal e mercadológica.

Passo 4 – Gere listas qualificadas na plataforma Econodata

Aplique filtros combinados para extrair o máximo potencial da segmentação. Exemplo real de combinação na plataforma:

Filtro: Setor de Saúde + CNAE 8630-5 (Atividades de atenção ambulatorial executadas por médicos e odontólogos) + Empresas com mais de 50 funcionários + Região Sudeste.

Passo 5 — Ajuste o pitch comercial

Contextualize a abordagem:

  • Setores em expansão: Foco em escalabilidade, velocidade e tecnologia;
  • Setores em ajuste: Foco em ROI imediato, redução de custos e otimização de processos.

Passo 6 – Recalibre a cadência

A intensidade dos touchpoints deve espelhar o momento do setor, respeitando o ciclo de compra.

Passo 7 – Implemente a rotina de Inteligência

  • Monitoramento mensal dos indicadores do Caged;
  • Revisão trimestral dos critérios de ICP;
  • Prospecção guiada por data-driven decision making.

Resultado: Eliminação do “achismo” e direcionamento de recursos para onde a liquidez do mercado realmente se encontra.

Plataforma de Inteligência de Mercado Econodata

Conclusão

O comportamento do emprego formal em 2025 não foi linear; foi um ano de reorganização estrutural.

Decifrar esse movimento é o pré-requisito para estratégias de vendas eficazes em 2026. Este artigo introduz o tema; as próximas publicações detalharão verticais específicas, nuances regionais e as implicações táticas para o ecossistema B2B.

Perguntas frequentes sobre o emprego formal em 2025

O Brasil gerou ou perdeu empregos formais em 2025?

O saldo anual foi positivo, indicando geração líquida de vagas, a despeito do ajuste sazonal observado em dezembro.

Qual foi o mês de maior destaque para o emprego formal?

Fevereiro registrou o maior saldo positivo, marcando o pico de aceleração do ano.

A queda de dezembro sinaliza recessão?

Não necessariamente. O dado reflete um ajuste estrutural e sazonal típico, e não uma retração econômica contínua.

Quais setores lideraram a manutenção do emprego?

Os destaques foram Comércio, Serviços Administrativos, Saúde, Construção Civil e Logística/Transportes.

Qual a perspectiva para vendas B2B em 2026?

O cenário é de crescimento seletivo. Depende diretamente do setor de atuação, exigindo alta capacidade de segmentação e inteligência de mercado.

Como utilizar dados do Caged na gestão comercial?

Utilize os dados para recalibrar o ICP (Perfil de Cliente Ideal), ajustar o timing de abordagem e personalizar o discurso conforme a saúde financeira e operacional de cada setor.

luis rocha
Especialista em Marketing at  |  + posts

Teem mais de 20 anos de experiência em comunicação digital. Sua trajetória é marcada pela aplicação estratégica de Inbound Marketing, IA, Conteúdo e SEO.

Inclusive, isso rendeu o convite para se tornar um dos embaixadores da RD Station no Brasil. Já teve artigo publicado no blog da empresa e case de sucesso em conversões de landing pages.

Ao longo da carreira, suas campanhas de e-mail marketing ajudaram empresas do setor SaaS a faturarem mais de R$10 milhões.

Também colaborou com agências digitais de pequeno e médio porte na conquista de grandes contas, vencendo concorrências em projetos avaliados em mais de R$2 milhões.

Luis Rocha

Teem mais de 20 anos de experiência em comunicação digital. Sua trajetória é marcada pela aplicação estratégica de Inbound Marketing, IA, Conteúdo e SEO. Inclusive, isso rendeu o convite para se tornar um dos embaixadores da RD Station no Brasil. Já teve artigo publicado no blog da empresa e case de sucesso em conversões de landing pages. Ao longo da carreira, suas campanhas de e-mail marketing ajudaram empresas do setor SaaS a faturarem mais de R$10 milhões. Também colaborou com agências digitais de pequeno e médio porte na conquista de grandes contas, vencendo concorrências em projetos avaliados em mais de R$2 milhões.